Alterações na pele durante a gravidez são muito comuns. Então, atendendo a pedidos, vou começar uma série de posts (não na seqüência, até porque ficaria cansativo) sobre as principais alterações estéticas causadas pela gestação.

Como continuar linda durante e depois da gravidez

Como continuar linda durante e depois da gravidez

Vou começar falando das estrias porque é a alteração estética mais comum durante a gravidez atingindo 90% das mulheres (nossa, fiquei até feliz por saber que dessa vez eu faço parte das 10% que não têm).

Na gravidez as estrias aparecem principalmente na barriga, por razões óbvias, mas podem aparecer também nos seios (o que é bem comum também durante a adolescência) e em outras partes do corpo (principalmente se a pessoa engorda muito em um curto período de tempo).

As estrias são lesões causadas pela degeneração das fibras elásticas da pele que ocorrem por sua distensão exagerada ou devido a alterações hormonais. É como se o elástico da pele esticasse ao ser puxada muito forte.

Como evitar?

O surgimento das estrias depende de uma tendência pessoal. Algumas pessoas as desenvolvem mesmo com pouca distensão da pele e outras não desenvolvem estrias nem na gravidez, quando a distensão da pele é muito grande, portanto a genética é um fator muito importante, se a sua mãe tem estrias provavelmente você também não vai escapar.

De acordo com o site dermatologia.net recomenda-se a hidratação intensa da pele com cremes e loções hidratantes para tentar evitá-las, principalmente em pessoas com histórico familiar de estrias. Deve-se beber pelo menos 8 copos grandes de água por dia (2 litros) e evitar engordar demais e rapidamente, eliminando doces e gorduras da dieta e praticando exercícios físicos regularmente.

Hidratar por dentro e por fora é importante para (tentar) evitar as estrias na gravidez.

Hidratar por dentro e por fora é importante para (tentar) evitar as estrias na gravidez.

Eu usava durante a gravidez um produto delicioso da Clarins  

Como tratar?

As estrias são lesões irreversíveis e portanto não existe um tratamento que faça a pele voltar ao que era antes. Os tratamentos visam melhorar o aspecto das lesões, estimulando a formação de tecido colágeno subjacente e tornando-as mais semelhantes à pele ao redor.

Até o parto e durante o período de amamentação o que os médicos costumam indicar, conforme o estudo sobre dermatoses na gestação são cremes hidratantes ou de algas marinhas com uréia a 5% e éster de vitamina C 0,05 a 1% para massagens diárias nos locais mais freqüentemente acometidos. Emolientes calmantes como a calamina podem também ser indicados se há coceira na região.

Depois desse período várias técnicas podem ser empregadas, entre elas:

  • Tratamento com ácidos: alguns tipos de ácidos, especialmente o ácido retinóico, estimulam a formação de tecido colágeno, melhorando o aspecto das estrias. Pode haver descamação e vermelhidão e a concentração ideal para cada caso deve ser definida pelo dermatologista, de acordo com o tipo de pele. Deve ser evitada a exposição solar. Um estudo de 2001 avaliou o uso da tretinoina creme (0,1%) utilizado por 20 mulheres, durante 3 meses, diariamente, em estrias causadas pela gravidez e demonstrou uma boa resposta dessa terapia na melhora do aspecto da pele. Um outro estudo  anterior havia demonstrado a ineficácia do tratamento com concentração menor (de 0,025%) então é importante ficar atenta e essa questão. A tretinoina, ou acido retinóico também tem boa ação em cicatrizes causadas pela acne .
  • Peelings: os peelings tem a mesma ação dos ácidos, no entanto, de uma forma mais acelerada e intensa, geralmente levando a um melhor resultado. Também deve ser evitada a exposição solar.
  • Subcisão (subcision): esta técnica consiste na introdução de uma agulha grossa, com ponta cortante, ao longo e por baixo da estria, com movimentos de ida e volta. O trauma causado leva à formação de tecido colágeno no local, que preenche a área onde o tecido estava degenerado. Provoca equimose (mancha roxa), que faz parte do tratamento, pois a reorganização do sangue também dá origem à formação de colágeno. Um estudo  feito em 2005 por uma equipe mexicana, com 14 pacientes não chegou a bons resultados com o método. Apenas 3 dos pacientes tiveram uma melhora no quadro com o procedimento. Apesar de um grupo ser pequeno esse foi o único estudo realizado avaliando a subincisão e que acabou por não recomendar o método no tratamento das estrias.
  • Dermoabrasão: o lixamento das estrias provoca reação semelhante à dos peelings, com formação de colágeno mas com a vantagem de regularizar a superfície da pele, que ganha mais uniformidade, ficando mais semelhante à pele ao redor. Segundo o site da dermatologista Denise Steiner  a dermoabrasão também constitui técnica válida, promovendo estímulo para a reorganização dos tecidos da estria. Deve ser feita muito suavemente, sem provocar sangramento, com lixa de diamante, a intervalos semanais. Geralmente é associada a intradermoterapia. Existem diversos estudos que comprovam a eficácia da técnica no rejuvenescimento da pele mas nada específico em relação ao tratamento das estrias.
  • Intradermoterapia: consiste na injeção ao longo e sob as estrias de substâncias que provocam uma reação do organismo estimulando também a formação de colágeno nas áreas onde as fibras se degeneraram. Além disso, a própria passagem da agulha provoca uma discreta subcisão. Também não encontrei nenhum estudo que avaliasse essa técnica cientificamente no tratamento das estrias.
  • Laser: a aplicação do laser provoca o fechamento dos pequenos vasos nas estrias avermelhadas e promove a formação de novo colágeno, com diminuição do tamanho das estrias recentes ou antigas. Um estudo recente de 2008 com 20 mulheres feito por um grupo brasileiro de Porto Alegre, demonstrou a eficiência do laser no tratamento das estrias vermelhas, 55% das pacientes consideraram o tratamento excelente contra 40% dos médicos que as avaliaram.
  • luz intensa pulsada (IPL) é uma luz diferente do laser emitida por um aparelho de banda larga. A sua eficácia é conhecida para o tratamento contra o envelhecimento na promoção de colágeno e ordenamento das fibras elásticas. Um estudo de 2002 feito por um grupo de El Salvador com 20 mulheres comprovou boa eficácia do procedimento no tratamento das estrias após 5 sessões quinzenais de tratamento.
Para melhorar (mesmo!) as estrias normalmente são necessários vários tratamento.

Para melhorar (mesmo!) as estrias normalmente são necessários vários tratamento.

Estes são procedimentos médicos e apenas os médicos devem realizá-los, indicando o que for melhor de acordo com cada caso. Os melhores resultados costumam aparecer com a associação de mais de um método.

Para saber mais:

  •  Uma matéria de 2005 da revista Boa Forma traz uma reportagem interessante com entrevistas com vários dermatologistas famosos a respeito do tratamento contra estrias. Vale a pena dar uma olhada.
  • No site do dermatologista Otavio Macedo, autor do livro A construção da beleza também tem uma página  interessante sobre estrias para quem quiser ler mais sobre o assunto.

 

2 Comments

 

  1. 7 de setembro de 2014  5:39 pm by Sandra

    Amei essa matéria!

  2. 8 de setembro de 2014  12:22 pm by Renata Velloso

    Que bom que gostou Sandra!

    Beijos

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