Depois do post sobre estrias, neste novo post sobre os prejuízos que a gravidez pode trazer para a estética vou falar do segundo problema que mais preocupa as mamães vaidosas: o melasma. As manchas escuras no rosto, que na verdade quando surgem na gravidez são chamados tecnicamente de cloasma gravidídico.

O Melasma é uma um aumento da melanina caracterizado pelo aparecimento de manchas acastanhadas localizadas principalmente no rosto.

O que causa?

A causa do melasma é desconhecida estando envolvidos fatores genético raciais, hormonais e ambientais como a radiação ultravioleta. O cloasma gravídico está associado ás mudanças hormonais deste período e pode desaparecer após o parto.

A participação do estrógeno e progesterona na causa destas manchas tem fortes indícios pela relação tanto com a gravidez como com o uso de anticoncepcionais. Porém, dosagens no sangue destes hormônios em mulheres com melasma são normais e idênticas aquelas sem o problema.

A radiação ultravioleta do sol e de lâmpadas artificiais estimula os melanócitos. A exposição solar aumenta os melanócitos da camada basal, a produção e transferência da melanina. A pigmentação pode ser imediata, ou tardia. A pele com melasma parece responder mais intensamente ao estímulo da radiação ultravioleta.

Tratamento

Para o tratamento do melasma deve-se atuar em várias frentes já que a causa do problema não está totalmente esclarecida.

Estratégia

1. Proteção em relação à radiação solar.
2. Inibição da atividade dos melanócitos.
3. Inibição da síntese de melanina.
4. Remoção da melanina.
5. Destruição dos grânulos de melanina.

1. Proteção em relação à radiação solar

Em relação a proteção solar, trabalhos atuais denotam a ação positiva de “fotoprotetores sistêmicos”. como Vitamina C 2g e Vitamina E 1000 UI.Inúmeros trabalhos também realçam a importância da betacaroteno na proteção solar sistêmica
(veja aqui sobre fontes naturais de vitaminas).

O filtro solar tópico ser usado todos os dias, várias vezes principalmente no Brasil. Atualmente os filtros tem protegido toda gama de radiação inclusive infravermelho. A associação de filtros químicos e físicos é melhor pois incrementa a qualidade do bloqueador. Deve ser utilizado o dióxido de titânico e óxido de zinco associado a outros químicos como parsol ou benzafenonas.

O número da proteção deve ser pelo menos 15 . É importante no tratamento do melasma que haja consciência da necessidade de proteção solar diária, além de evitar o excesso de radiação sempre que possível.

2. Inibição da atividade dos melanócitos

Para que ocorra inibição da atividade global do melanócito, é importante evitar radiação solar e utilizar filtro solar, sistêmico e tópico diariamente, várias vezes ao dia. Está comprovado que a radiação solar induz a melanogenese aumentando o melasmanúmero total de melanócitos, melanossomas e melanina.

A área pigmentada escurece mais do que a área normal devido a hiperatividade do melanócito local.

Outros fatores devem ser enfatizados como evitar o uso de drogas fotosensibilizantes. O uso de anticoncepcionais precisa ser descontinuado para obter melhores resultados uma vez que há associação direto do estrógeno e progesterona com o melasma.

A agressão e manipulação da área com melasma deve ser evitado. Toda inflamação no local tende a escurecer mais a mancha devido a pigmentação pós inflamatória.

3. Inibição da síntese da melanina

A inibição da síntese de melanina pode ser feita com vários clareadores como os enumerados na tabela.
A hidroquinona age na tirosinase provocando sua inibição. A utilização deste agente terapêutico para tratamento do melasma deve ser na concentração de 4 a 5%. Concentrações de 2% são menos ativas e utilizadas em cosméticos terapêuticos pois até este nível não há efeitos colaterais marcantes.
Concentrações maiores do que 10% irritam a pele provocando avermelhamento e piora da mancha.
A hidroquinona ainda é o despigmentante mais utilizado para o tratamento do melasma. A associação de hidroquinona 5%, tretinoína 0,1%, dexametasona 0,05% em veículo alcoólico é conhecida como fórmula de “Kligman”que a preconizou para o uso no melasma.

O ácido retinóico ou tretinoína foi usado em vários trabalhos comparativos e comprovou seu efeito clareador. Esta substância melhora e homogeiniza o extrato córneo e provoca efeitos de “limpeza” da melanina localizada na epiderme.

A dermatologista Denise Steiner (que tem um artigo completo sobre esse problema) costuma usar a fórmula de Kligman à noite, em noites alternadas com um creme de alfa hidroxiácido (glicólico de 4-8%) e ácido kógico 0,5-0.2%.

O ácido azelaico é um ácido dicarboxilico que compete com a tirosinase inibindo sua atividade. Sua ação também é antioxidarnte, preconizando-se a dose de 20%. Alguns trabalhos tentam demonstrar que ácido azelaico a 20% teria o mesmo efeito da hidroquinona 4%. Esta não é a experiência da Dr. Denise Steiner que considera a hidroquinona mais ativa. Já falamos sobre acido azelaico aqui.

A vitamina C de uso tópico em doses adequadas inibe a ação do triasinose além de ter efeitos antioxidantes.
O ácido kógico é citado em alguns trabalhos. É um derivado do arroz que também inibe a ação da tirosinase. É pouco irritante e pode ser associado a outras substâncias na concentração de 0,5 a 2%. Não há medicamento industrial com esse principio vendido no Brasil. Os remédios vendidos para Melasma (fora aqueles que são manipulados pelos dermatologistas) necessitam de prescrição e são: Tri-luma e o Glyquin XM

4. Remoção da melanina

A remoção da melanina pode ser feita com uso de “peelings” que promovem a esfoliação da pele, eliminando a melanina. São utilizados de preferência os peelings superficiais como: pasta de resorcina 40%, solução de Jessner, ácido retinóico 1 a 3%, ácido glicólico 70%, ácido salicílico 30%. Os peelings superficiais são eficientes para o tratamento do melasma epidérmico porém tem pouca ação no melasma dérnico. Os peelings superficiais são realizados semanalmente,após preparo e tratamento com clareadores locais.

5. Rompimento dos glânulos de melanina

Alguns aparelhos de laser através do mecanismo fototermólise seletiva pode-se atingir a melanína com maior especificidade. O laser pode melhorar as manchas de melasma porém costuma haver recidiva .
Muitas vezes após o clareamento do melasma com produtos tópicos, observa-se que há vasos dilatados formando raia rede que sombreia esta hiperpigmentação. O laser seletivamente pode ser usado para queimar estes vasos clareando as manchas. O laser deve ser usado após o preparo da pele com clareadores. Ele é um tratamento coadjuvante e não é eficaz isoladamente.

Conclusão

O tratamento do melasma é prolongado, a resposta somente inicia após cerca de 45 dias, e o sol precisa ser controlado e por esta razão o entendimento do paciente é importante.
O tratamento do melasma é difícil, porém há respostas muito adequadas. Geralmente a recidiva principalmente se houver exposição ao sol.

Mais sobre melasma num site todinho dedicado ao assunto.

Mais sobre os cuidados com a beleza para as novas mamães aqui 

 

2 Comments

 

  1. 4 de junho de 2014  1:01 pm by Roney

    Olá Renata, como vai?

    Só uma observação. No parágrafo "A dermatologista Denise Steiner (que tem um artigo completo sobre esse problema) costuma usar a fórmula de Kligman à noite, em noites alternadas com um creme de alfa hidroxiácido (glicólico de 48%) e ácido kógico 0,5-0.2%" acho que vc quis dizer (glicólico 4-8% e não 48). Não precisa publicar esse recadinho. Abraços!

  2. 4 de junho de 2014  1:08 pm by Renata Velloso

    Tem toda razão Roney, vou corrigir lá, beijos e obrigada!

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