Cosméticos com DNA?

A genética é uma das áreas mais promissores da medicina em termos de tratamento para uma série de doenças. A partir do decodificação do nosso DNA abriu-se um campo enorme para pesquisas que possam trazer enormes avanços.

Potinho da juventude?
Na esteira desse conhecimento foram lançados e estão sempre aparecendo produtos novos que vendem a idéia de uma nova tecnologia, baseada em estudos genéticos. O mais novo deles é o Génifique da Lancome (o produto ainda não foi lançado no Brasil, mas está sendo vendido lá fora há pouco tempo por cerca US$ 78,00 no site da empresa)
Para avaliarmos a eficácia desse tipo de produto temos que fazer algumas considerações.
1. Um cosmético que efetivamente tivesse a capacidade de alterar a estrutura do DNA da célula teria um potencial cancerígeno. Não é o caso do produto da Lancome e de outros cosméticos do gênero. Assim, nenhum cosmético atua diretamente no DNA.
2. Pela lesgislação do FDA americano nenhum cosmético pode alterar a estrutura ou a função da pele, caso isso aconteça ele deixa de ser considerado um cosmético e passa a ser considerado um medicamento (vendido apenas com prescrição médica).
3. Os cosméticos atuam a nivel da epiderme. A epiderme é a camada mais superficial da pele que tem em média entre 1 milímetro (na sola do pé) até 0,3 milimetros (nas pálpebras) de espessura. Então os cosméticos só teriam teoricamente a capacidade de atingir essa profundidade de rugas e portanto só podem afetar as linhas mais finas.
Isso significa que o Génifique não funciona? Não exatamente. O produto da Lancome não atua nos genes, mas ele pode atuar nas proteínas que circundam os genes, proteínas essas que diminuem a sua atividade com o passar do tempo. Essas proteínas podem, junto com os outros componentes do produto melhorar a aparência da pele, deixando-a mais firme e luminosa e também reduzir as linhas finas. A favor do produto temos também 10 anos de pesquisa e 7 patentes internacionais.
No site americano makeupalley, o produto foi bem avaliado, tirando no 4,3 (entre 5 possível) entre as consumidoras que testaram o produto, sendo que cerca de 80% delas voltariam a comprar. É bastante coisa. Além disso pesquisando no google praticamente só li avaliação boa de quem testou o produto e comentou em seu site ou blog.
O Génifique pode ser considerado o principal lançamento da indústria cosmética nos últimos anos mas não é o primeiro a propagandear a tecnologia genética.
A Nivea já vende há bastante tempo o DNAge com ácido fólico e creatina, que também teriam a capacidade de atrasar os ponteiros do relógio da pele. O produto não foi tão bem avaliado no makeupalley, recebendo nota 2,2. Mas o principal motivo da nota baixa foi por reações na pele sensível e não pelo fato do produto não melhorar a aparências das rugas. Então fica difícil comparar um com o outro.
Existe também um outro produto chamado DNA face cream que tem uma proposta diferente: criar um cosmético antiidade de acordo com o DNA individual de cada pessoa, de forma que o produto possa atender as nossas necessidades específicas.
A idéia é atraente, mas infelizmente a medicina ainda não chegou nesse nível e a eficácia desse tipo de tratamento ainda não foi comprovada em estudos, portanto ainda não tem base científica. Poderíamos até com uma análise da amostra da pele em microscópio compreender melhor como está a sua estrutura e que tipo de produto seria mais interessante e a partir daí criar um produto mais adequado para cada pessoa. Mas isso não tem nada a ver com DNA ou engenharia genética e não justificaria o alto preço cobrado pelo produto. Nessa matéria aqui da Revista Istoé a questão está bem abordada pelos dois lados.
Enfim: é o futuro, mas ele ainda não chegou! Por hora eu prefiro não ser cobaia (até porque minha mamãe ficaria bem nervosa rsrsr) e continuo preferendindo os potinhos tradicionais.

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